A semana de 18 de outubro de 2025 estava reservada para umas curtas férias. O local escolhido estava dependente de fatores familiares. Depois de eliminada a hipótese de Cabo Verde, Marrocos e viagens pontuais por Portugal ferroviário com o passe verde, avancei para os Açores. Desta vez Santa Maria. Um destino há muito desejado, a aguardar melhores oportunidades.
Uma ilha com características diferentes das outras 8, menos verdejante (sem no entanto o deixar de ser, principalmente na sua parte mais alta e leste), recôndita e sem a habitual pressão de turistas ávidos de palmilhar quilómetros, permite aos visitantes usufruir de uma calma pouco habitual em terras continentais. Com formato de uma oval imperfeita, a ilha tem cerca de 15 por 5 km e é perfeitamente viável estar de manhã a visitar uma ponta e ir almoçar à outra ponta, mesmo sem auto estradas nem estradas de qualidade.
Ótima região para relaxar, calcorrear percursos pedestres e ler. Aos amantes das caminhadas, aconselho o pequeno trilho, com cerca de 8 km, que une Vila do Porto à Praia Formosa, que passa por áreas classificadas no âmbito da proteção da natureza. Um percurso classificado como de dificuldade média, mas esqueceram-se de contabilizar um novo e forçado troço alternativo, já junto à Praia, onde uma parte de poucas centenas de metros do trilho abateu, junto á água e que contava com o apoio de um cabo para sustentação dos caminhantes, fazendo incrementar o percurso talvez mais de 2 km e com a exigência de subir um declive abrupto até á estrada alcatroada que dá acesso à povoação terminal. Os membros ressentiram-se e, para cereja amarga em cima do bolo, o excelente restaurante mesmo em cima do mar que forneceria um peixinho fresco grelhado como prêmio pelo esforço, encontrava-se fechado. Hélas. A vida é assim. Mais nenhum local aberto na pequena povoação que permitisse emborcar qualquer coisa. Ninguém na rua para informar. E para ajudar á festa, a camioneta da carreira que permitiria o regresso á capital, terminou no final de setembro o seu percurso balnear. Mais uns quilómetros serra acima para encontrar uma paragem operacional e uma tasca que permitisse repor os milhares de calorias gastos durante a manhã. Foi no café Stop, após uma conversa pouco fluida com o jovem proprietário, que consegui uma mini e uma gordurosa e recheada bifana que repuseram as forças.
Gastronomia típica difícil de encontrar. Através da radio ASAS do Atlântico consegui saber que o restaurante XX servia a característica sopa de nabo. Não hesitei. O prato que parecia um cozido aguado, com dois pedaços de carne, nabo, batata doce e pão, e que não animou o palato, custou a módica quantia de 17euros (!!!). E era prato do dia.
Turistas que alcancem esta ilha fora do pico dos meses de veraneio, saibam que vão encontrar muita dificuldade em arranjar restaurantes e bares abertos, para além da sua capital. Vale os bons preços de estadia, voo e rent-a-car.
A dourada e serena ilha de Santa Maria é também pródiga em recordes: foi a primeira ilha dos Açores a ser descoberta (por Gonçalo Velho, 1432/1433); a primeira a ser oficialmente povoada (meados do séc. XV, Vila do Porto, embora o primeiro desembarque tenha sido na Baia dos Anjos, no norte da ilha); a primeira a ser geologicamente formada, com cerca de 8 milhões de anos, contra a jovem ilha do Pico com poucas centenas de milhar; primeira com aeroporto de grande dimensão nos Açores (1944-46); primeira aterragem do avião Concorde em Portugal (anos 70, escala técnica regular); associada ao maior acidente aéreo em território português (1989 – 144 vítimas fatais); única ilha dos Açores com praias de areia clara natural e clima mais seco; ilha com solo sedimentar com fósseis marinhos, única nos Açores com estratos fossilíferos visíveis; primeira ilha açoriana usada como escala regular da navegação atlântica, desde o séc. XV, entre Europa–África–Índias–Brasil; primeira grande escala aérea transatlântica entre Europa e América. Santa Maria é a ilha das primeiras pegadas: primeiro chão, primeiro povo, primeiro porto do Atlântico e primeira pista para o céu.
Para quebrar o ritmo vertiginoso das metrópoles do continente, a ilha de Santa Maria é a solução.
Alojamento: pousada de juventude (quartos individuais e camaratas, para todos os gostos, junto ao mar, ao porto e ao forte de São Brás).
Restaurantes: Conversa com letras e O Descobridor (Vila do Porto), O Paquete (Praia Formosa), bar dos Anjos (Anjos), Ponta Negra (São Lourenço).
Rent-a-car: Prime Azores (contratualizar diretamente no seu site)
Atrações: Vila do Porto, Ermida de NS Anjos, Barreiro da Faneca, Pico Alto e monumento aos mortos do voo 1851, Praia de São Lourenço, Miradouro de São Lourenço, Poço da Pedreira, cooperativa de artesanato de Santa Maria, igreja de NS da Purificação, cascata do Aveiro, miradouro da Pedreira da Tia Paulinha, miradouro e vigia da baleia, farol de Gonçalo Velho e antiga fábrica da baleia, calçada do gigante, reserva florestal recreio das Fontinhas, museu de Santa Maria, Casa dos Fósseis // Centro de Interpretação Ambiental Dalberto Pombo.
Mais informação:
Santa Maria - https://www.exploresantamaria.pt/
Guia Viajar entre Viagens - https://viajarentreviagens.pt/portugal/visitar-santa-maria-acores/
Trilhos pedestres - https://www.exploresantamaria.pt/trilhos-pedestres/
Bus TSM - https://transportesdesantamaria.com/
Rent-a-car Prime - https://primeazores.pt/
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