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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Pelas linhas das Beiras


Há cerca de 50 anos, a viagem entre Almada e a Guarda era uma autêntica aventura. Sair muito cedo para chegar tarde. Mas ficou esse sabor do acordar nas manhãs frias e sonolentas, apimentadas pelas ânsia da viagem, que contrastava com a calorosa receção dos familiares da aldeia granítica serrana e da reconfortante sopa quente de feijão e couve acabada de tirar da panela de ferro depositada na lareira acesa.


Decidimos fazer no mesmo dia esse mesmo percurso, agora de comboio, entre o Entroncamento e a Guarda. Ida pela linha da Beira Baixa, troço cheio de recordações das viagens no sud expresso para uma Europa desconhecida, longínqua e menos aberta, e regresso pela linha da Beira Baixa, encerrada parcialmente durante vários anos para reabilitação.


Característica do segundo quarto do século XXI, o bilhete e a reserva para o comboio IC foi efetuada remotamente, com possibilidade de escolha do lugar e da carruagem. Tudo online, incluindo o pagamento. Escolhi o melhor lugar, á janela, voltado no sentido da deslocação e do lado em que esperava ter uma melhor vista. Naquele que me sentei julgando ser o correto,  o lugar tão criteriosamente escolhido saiu logrado: carruagem invertida, fazendo com que o  assento se localizasse no lado oposto ao cenário desejado, orientado no sentido oposto à deslocação do comboio e, como cereja podre em cima do bolo, um janela panorâmica que, de tão suja, concorria com a neblina matinal. Hélas!!


Partida com 1 mn de atraso. O  comboio estranhamente cheio para um sábado de manhã, fora de épocas festivas ou de fins de semana prolongados. Explica-se certamente pela oportunidade dada pelo passe verde ferroviário. Nesta viagem, cada bilhete individual, ficaria por cerca de 45 euros. Com o passe , resumiu-se a 20 euros, com a possibilidade de, durante um mês, poder viajar á borla pela rede ferroviária. Bem jogado! 🙂


Na manhã fria, a neblina ou nevoeiro acompanham permanentemente o comboio. A composição mantém-se quase cheia. Os passageiros que saíram em Coimbra B - estação que recente e infelizmente perdeu a sua irmã mais nova e central da  cidade tricana - foram compensados pelos que lá entraram. 


Pampilhosa que não é da serra. O comboio afasta-se da linha do Norte e entra na linha da Beira Alta.  Desaparecem as paisagens planas, agricultadas, com casario disperso e iniciam-se horizontes ondulados, inicialmente mais florestados e, depois de  contornar a serra do Buçaco,  mais desertos e pedregosos, por onde o comboio serpenteia, ronceiro e hesitante, mesmo após as obras de modernização que prometiam mais fluidez. 


"Senhores passageiros. Próxima estação, Nelas. Nelas. No desembarque, atenção á distância entre o comboio e a plataforma. Next  station, Mangualde."  Vislumbra-se a Serra da Estrela no horizonte. A nebula e o vidro quase opaco não permitem identificar neve que, devido às baixas temperaturas, deve ser significativa nas zonas mais altas. Aproxima-se Mangualde. Junto á via, numa zona plana, um monumento assinala o maior acidente ferroviário ocorrido em Portugal. Alcafache. Simples e recôndita aldeia, ligada à linha ferroviária, ficou conotada negativamente com aquele sinistro acidente provocado pela má comunicação entre os chefes das estações opostas, onde dois comboios, deslocando-se em sentidos opostos, embatem violentamente, causando uma amálgama de destroços e vários incêndios devido ao combustível das locomotivas e do aquecimento, ampliado pelos materiais altamente combustíveis que integravam as composições. Mais de 140 mortos, número indefinido devido á violência do incêndio. 


Estas memórias tétricas são interrompidas pelo ruído de um extenso grupo folclórico que irrompeu de uma das extremidades da carruagem e que percorreu todo o comboio cantando as janeiras em alto e bom som, para gáudio dos passageiros. Lá fora, o Mondego acompanha o comboio e a paisagem, despida de floresta adulta, com blocos de granito dispersos,  giesta e zonas ardidas. O sol, tímido, começou a rasgar o nevoeiro.


A estação de Vila Franca das Naves é uma espécie de elevador da linha da Beira Alta. Para atingir os cerca de 800 metros de altitude da estação da Guarda, de forma suave e que permita ser comquistado por um comboio, a linha sobe linearmente de Celorico da Beira (400 m de altitude) até Vila Franca das Naves (550 m), curvando depois num ângulo de 180° até avançar para  estação terminal. A sul de Vila Franca das Naves, o comboio passa a 500 metros da linha onde tinha acabado de circular numa direção oposta.


Chegada á estação da Guarda com meia hora de atraso. Frio. Temperatura idêntica ao do local da partida, quase 4 horas antes.


No início da tarde parte novo IC, agora de regresso ao Entroncamento pela linha da Beira Baixa. Sai vazio, no sentido descendente, ao longo do mesmo vale por onde se estende a A23, embora na íngreme encosta oposta. Sabugal (curiosamente com a estação muitos  poucos quilómetros depois da da Guarda), Benespera, Belmonte, Covilhã, onde entra mais gente, jovens, provavelmente estudantes universitários. O comboio fica mais compostinho. Fundão, com a serra da Gardunha ao fundo. Os engenheiros ferroviários do século XIX, sem os meios e recursos atuais, para evitar construir um túnel de enorme dimensão, decidem contornar parte da serra para a ultrapassar. Alpedrinha, Alcains e chegada à cosmopolita e interior Castelo Branco. E lá vai o comboio em direção a sul, tal comboio descendente de Fernando pessoa cantado pelos Trovante.


Quando o ar condicionado da carruagem se desliga momentaneamente, resta um abafado e longínquo ranger da carroçaria e rodadados que, associado ao balancear do comboio, faciliita a introspecção e o relaxamento. O comboio segue agora ao longo do rio Tejo, a meia encosta, em vale cavado cheio de água represada e que espelha os lânguidos raios solares do final da tarde. Uma das margens, oposta à linha, com vegetação densa e intransponíveis, abre-se aos caminhantes e amantes sonhadores da natureza. É a pequena rota da sirga.


Chegada a terras ribatejanos no final do dia.  A viagem de comboio e não o destino atingido, foi em si uma  agradável atividade de lazer e de recordação de bons e longínquos  momentos vividos naquelas linhas.



Informações úteis:


Bilhete - passe verde ferroviário, para residentes em Portugal, com validade  de 30, 60 ou 90 dias e que permite viajar por todo o país em comboios regionais ,interregionais e intercidades, em segunda classe.  Um verdadeiro interrail dentro de portas.

sábado, 22 de março de 2025

Coimbra tem mais encanto...


19 de março. Feriado em Santarém. Toda a família a trabalhar. O que fazer? Turismo, claro. Mas onde?

Em tempos tinhamos planeado uma ida de comboio a Coimbra. Plano nunca concretizado. Vai ser agora. O comboio foi posto de lado, por razões práticas e logísticas. Estando o kwh mais barato que o gasóleo e a A13 recentemente livre de portagens, o automóvel foi a opção. 

Viagem rápida e económica, com autoestrada desde que se sai de casa até que se entra em Coimbra. Bastante conveniente. Estacionamento em Santa Clara, junto ao basófias, na suaargem esquerda, onde o concessionario, a câmara municipal de Coimbra, só aceita pagamento em cash, como informou a senhora que, de dentro da barraquinha de madeira, vegetava  á espera de clientes. 

Início do percurso pedestre. Passagem da ponte de Santa Clara com a visão frontal da praça da portagem e da estátua de Joaquim António de Aguiar. Obras e mais obras. A estação de comboios central de Coimbra encontra-se tristemente devoluta. A ligação a Coimbra B faz-se de autocarro. Perdeu-se a mágica do transbordo viagem ferroviária (senhores passageiros, dentro de momentos chegaremos a Coimbra B. Coimbra B. Com ligação à estação de Coimbra). Subida para o planalto da universidade: da rua de Sofia para a porta/torre de Almedina, torre da Contenda, torre de Anto, sé velha e, no final da rua do Cabido, o museu Machado de Castro com as suas recentemente descobertas ruínas romanas, na sua base. Ficará para uma próxima visita, com mais tempo e possibilidade de atenção. Já no planalto universitário,  passagem pelo laboratório "chimico", sé nova, universidade de medicina onde, em tempos, visitámos o seu incrível museu onde se observavam, em frascos com formol, abortos e partes humanas bem conservadas. A entrada do edifício do departamento de matemática, na praça D. Dinis, apresenta coloridos e gigantescos  frescos de Almada Negreiros, assinados e datados de 1969, um dedicado à Matemática Portuguesa ao Serviço da Epopeia Nacional e outro à Matemática desde os Caldeus e Egípcios até aos nossos dias. A não perder. 

Descida para o jardim botânico. Criado no século XVIII por Marques de Pombal, espaço de interesse público com mais  de 10 hectares, numa das encostas de Coimbra, a ele se associam os famosos botânicos Brotero, na sua fase inicial, e o contemporâneo Jorge Paiva (tenho o prazer e orgulho de o ter  tido como professor há algumas dezenas de anos). Lar de espécies exóticas, estufas, fontenários com nenúfares, de árvores monumentais e da única "floresta de bambus" existente em Portugal. 

Regresso ao planalto e passagem pelo mediático e turístico Paço das Escolas, enorme pátio rodeado pela sala dos Capelos, palácio real, capela universitária e a famosa e peculiar capela Joanina (Joanina de João e não joaninha, como por vezes já ouvimos dizer). Pejado de turistas, asiáticos na sua grande maioria, organizados em grupos,  piamente seguidores de uma bandeirinha esvoaçante, elevada pelo diligente guia. Estratégico mirador para o rio Mondego e para as montanhas a sul da cidade das lindas tricanas. 

Descida pelas escadarias de Minerva novamente para as margens do rio. 

Hora de almoco. Regresso à curiosa e exótica experiência do Zé Manel dos Ossos. Estivemos aqui há 40 anos, ainda como tasca pouco conhecida e que os estudantes previligiavam pelos seus preços acessíveis.

Chegada às 12:15 horas. No Beco do Forno, estreita rua com menos de dois metros de largura, habitualmente escura mas agora ainda mais devido aos andaimes das obras próximas, já existia uma pequena fila com cerca de 10 pessoas. Só abrem às 12:30 horas. A fila foi engrossando e á hora de abertura já integrava mais do que o número de lugares que o pequeno e histórico restaurante suporta: cerca de 20. Fui o último a entrar. O que estava atrás de mim não entrou.  Sorte. O espaço exíguo (recordava-o pequeno mas não tanto), integrava 7 mesas individuais, ocupadas por uma, duas ou três pessoas. O espaço está separado por um balcão metálico que divide a cozinha aberta e a sala de refeições propriamente dita. Música de fundo: fados de Coimbra. Informei o Rui, presumo que filho do proprietário original, que não me importava que alguém se sentasse na mesa (incomoda o facto de uma boa massa de gente estar a aguardar á porta da tasca, à mercê de meteoros, que nesse dia estavam intensos (alerta laranja para vento e chuva), tendo respondido de forma exuberante mas alegre e simpática que não me preocupasse e que desfrutasse. E colocou o jarro de vinho na mesa. Branco, com ligeiro pico, acompanhado com pedaços de broa ainda quente. Preteridos os ossos, os cogumelos emporcalhados e a feijoada de javali (ficam para a próxima), a opção caiu sobre as costeletinhas com arroz de feijão. Para sobremesa, o delicioso vomitado de ovos moles com amêndoa.



Regresso a casa com o estômago e a vista satisfeitos, e as memórias refrescadas, em direção a sul e à tempestada Laurence que fazia das suas em Portugal continental.

sábado, 14 de dezembro de 2024

Passe verde ferroviário. O primeiro teste.

Dezembro, dia frio. Após almoço decidiu-se rever a estonteante e maravilhosa linha da beira baixa, entre as estações de Entroncamento e Vila Velha de Ródão. 

Reserva de lugar para o InterCidades (IC) Lisboa - Guarda que, devido a greve, suprimiu as composições entre Lisboa e Entroncamento e fez partir dessa cidade um comboio á antiga, tipo urbano. Indicações de locais de partida contrárias: a app da CP indicava uma linha e os painéis eletrónicos da estação outra. A CP no seu melhor.

Sem ninguém no comboio, carruagens vazias, foi preciso confirmar com um revisor conhecido que aquele era efetivamente o comboio desejado.

Viagem até Abrantes com belas vistas para o Tejo, mas zona já batida. Pouco depois de Alferrarede, após novo atravessamento do rio, agora para a margem norte, começa a passar pela janela um cenário deslumbrante: o vale do Tejo, mais a montante, entre Abrantes e Vila Velha de Ródão, junto á fronteira espanhola. O comboio segue sempre a meia encosta, por vezes rasando a água, na margem direita do Tejo e permite observar zonas completamente desertas de população humana na margem sul. Entre Belver e alguns quilómetros a montante, observa-se a contornar o leito o serpentear de um passadiço, a rota da sirga. 

Chegada a Vila Velha de Ródão, a vila-aldeia. Aconchegada ao rio Tejo, acolhe as Portão de Ródão, área classificada no âmbito da conservação da natureza. Como refere o sítio internet do município, trata-se de uma imponente garganta escavada pelo rio Tejo na crista quartzítica da serra do Perdigão, que criou um estrangulamento no curso da água com 45 metros de largura. O local serve de habitat para a maior colónia de grifos do país e é um lugar privilegiado para a investigação de fauna e avifauna.
Regresso no final do dia, com o ângulo dos raios solares a pjtarem de outras cores as arribas do Tejo. Comboio com baixa ocupação, um pouco mais que na ida, chegou num ápice ao Entroncamento.

Término da primeira viagem com uso do passe verde. Que venham outras. 

terça-feira, 1 de novembro de 2022

PR8 Rota da Sirga - Gavião

- Câmara Municipal de Gavião, boa tarde.
- Olá, boa tarde. Pode-me passar ao posto de turismo?
- ... o posto de turismo está fechado... Vou tentar passar ao técnico de turismo do município.... não... são 17horas e um minuto e já deve ter saído... Sim, já saiu.
- Eu só queria saber se um percurso pedestre do município se encontrava aberto...
- Está a falar da rota da Sirga? - interrompeu a telefonista.
- Essa, sim...
- Sim, já está aberta. Pode percorrê-la, sem problemas.
Agradeci, desliguei e fiquei a pensar na importância da polivalência das telefonistas de pequenos municípios.
No dia seguinte o comboio partiu com rigor britânico. 7h46. Num feriado é ainda madrugada. A carruagem está salpicada de trabalhadores sonolentos. A atenção passou a ser a janela por onde se começa a ver o Tejo, acariciado por uma nébula rasteira. O castelo de Almourol e algumas garças cinzentas parecem flutuar num ambiente feérico. Com este cenário não temos qualquer dúvida que a princesa moura espera o seu príncipe atrás daquela janela rasgada nas espessas paredes de pedra.


Chegada a Belver. O castelo altaneiro e muito bem conservado domina a vila e o rio.
É necessário percorrer cerca de 1km para chegar ao início do trilho, passando pela quase centenária ponte que liga as duas margens do Tejo e que aproxima as principais localidades do concelho.


Inicia-se a pequena rota PR8, linear e com cerca de 6km. Quem espera um percurso plano, com bom piso, totalmente sustentado em passadiços, tal como o vizinho PR que passa pela praia do Alamal, desengane-se. Apesar de acompanhar o rio pela marguem esquerda, sempre a rasar a superfície da água, o trilho tem desníveis constantes, curtos mas de grande inclinação e apresenta um piso de rocha, o que dificulta grandemente a marcha e é muito exigente para as articulações dos membros inferiores. Efetivamente não entendia como o folheto que divulga o percurso refere 3 horas para fazer os 6km, mas depois de o iniciar verifica-se a razão.


O rio vai gordo e túrgido. Na verdade, nesta zona, estamos na presença da albufeira da barragem de Belver, que se estende quase até a barragem mais a montante, de Fratel.

 
Durante todo o percurso não se vislumbram povoações, nem sequer habitações, nem outros caminhantes, pelo que a sensação de envolvência no ambiente é total. Caminho sobre tapete multicolor de folhas castanhas, erva verdejante e xisto glauco, por entre túneis de vegetação na fase inicial do percurso e, na fase final, com bastantes troços com passadiços praticamente suspensos sobre a água e de onde se observam pedaços de sigra submersos na água e no tempo.

 
No fim do trilho o caminhante desemboca no PR2, que o leva até a aldeia de Atalaia,  zonas longínquas de locais onde se pode apanhar um comboio. A solução é, pois, o regresso pelo mesmo caminho e deslumbrar-se com perspetivas e cenários diferentes apesar do percurso ser o mesmo.


Regresso à deserta estação de Belver, hoje nem tanto dado final do fim de semana prolongado, onde o regional traz todos de regresso ao Entroncamento.
Um total de cerca de 15km percorridos, ganho de elevação de 450 m e derretidas 550 calorias, num percurso ideal para quem pretende passar algumas horas consumindo energia e revigorando o cérebro, entre guarda rios, lontras e fresca e bruxuleante vegetação ripícola, num ecossistema de enorme biodiversidade. 
 
A visitar!!!

PS: para quem se questionou acerca da razão do encerramento do trilho, o ICNF e a CM de Gavião optaram por esta medida para evitar que os grifos aí existentes, na sua fase de nidificação, abandonassem as colónias devido á proximidade do bicho-homem. Mais informação aqui.


Novembro de 2022

quinta-feira, 10 de março de 2022

Trilho panorâmico do Tejo


Foi inaugurado esta semana, renovado e com novos troços , o trilho panorâmico do Tejo entre Vila Nova da Barquinha e Constância.

São 10 km sempre a ombrear o mais caudaloso rio português, com início na Foz do rio Zêzere, com uma vista deslumbtante sobre Punhete, a vila poema com nome ancestral pouco poético, e término no parque da Barquinha. Para ser do contra, o percurso foi feito ao contrário. Transporte de carro até à estação de comboios da Barquinha com espaço para estacionamento de fazer inveja à sua congénere lisboeta. Foi nessa estação quase abandonada mas operacional, preparada com portas e janelas tapadas com cimento contra qualquer ação de vandalismo, que se iniciou o percurso.

Passagem pelo parque ribeirinho, término oficial do trilho, calcorreiam- se campos agrícolas, canaviais que nos abraçam em túneis sombrios, sobreirais que sustentam biodiversidade, zonas escarpadas para o rio cintilante, fontes carentes de água  e cais fluviais cada vez mais distantes das margens. A passagem junto ao castelo de Almourol, com os seus 850 anos de história,  a meia encosta, oferece vistas deslumbrantes, sempre diferentes consoante a direção do sol. O fraco caudal do rio transformou a ilha em península. O convento seiscentista de Nossa Senhora do Loreto, ruinas habitualmente visíveis à distância, constitui um ponto de passagem dos frequentadores do trilho. Edifício que, mesmo tendo sofrido uma terceira reconstrução, e sob proteção militar e etérea, não resistiu à violência lenta dos elementos e da erosão humana. 

O percurso continuou através do leito de cheia, na base da localidade de Praia do Ribatejo, ancestralmente conhecida pelos templários como Paio de Pelle, onde altas e bem equilibradas  chaminés de fábricas devolutas albergam ninhos de cegonhas curiosas com a passagem dos transeuntes. 

A chegada à Foz do Zêzere, pelas 11 horas desse dia 1 de março de 2022 , foi coroada com um concerto de sinos, sirenes e buzinas, em solidariedade para com o povo ucraniano. 

Percurso habitualmente solitário, depois da inauguração passou a registar uma maior utilização por todos os perfis de frequentadores: os passeantes domingueros, com as suas crianças ruidosas e cãezinhos pela trela, caminheiros de fim de semana, praticantes de jogging e até atletas de trail e coloridos ciclista BTT. Todos se saudavam quando se cruzavam: um cordial "bom dia", acompanhado de um sorriso, prática cada vez mais em desuso em meios urbanos. 

O percurso pedestre não é circular, o que levanta problemas logísticos no regresso. No entanto, se o passeio for bem planeado, aparecerá sempre um comboio que nos transporta de regresso ao ponto de partida numa viagem de relaxamento e de prazer.

O Presidente de Vila Nova da Barquinha, Fernando Freire, e os seus colaboradores,  estão de parabens. Com esta iniciativa abriu mais o espaço do seu concelho aos seus munícipes, cidadãos vizinhos e até visitantes de outras paragens. Resistiu a implementar passadiços faraónicos, construindo um trilho que evidência as coisas boas da região e aproveita caminhos já estabelecidos pelo calcar do tempo, aqui e ali reforçado com pequenas pontes de madeira, muito bem enquadradas, e singelas mas necessarias obras de sustentação de terras e corrimãos de segurança. 

Uma manhã de carnaval muito bem passada! 

Deixo um link para um excelente guia histórico e turístico do percurso, da autoria de Fernando Freire:

domingo, 4 de julho de 2021

Dia 2 - 3Jul2021 - sábado - Rubiães - Valença - 19km



Saída às 7horas de Rubiães, depois de um pequeno almoço bem guarnecido fornecido pelo Albergue. Grande parte dos alojados já tinha partido. Ficaram só para trás os peregrinos provenientes da Suíça e do Brasil. 

O percurso continua, sinuoso, bem delineado e marcado, transpondo linhas de água com recurso a obras romanas e medievais. E sempre com o apoio dos autóctones, simpático, por vezes rotineiro: "Bom Caminho". 
Primeira paragem : São Bento da Porta Aberta. Não a do Gerês. Mais um carimbo para a caderneta. E um café e um rissol de camarão (o café substituiu, por vergonha social, a malguinha de verde tinto 😁). 

Desde esse local, o percurso descendente segue pela encosta norte da serra minhota, em direção ao caudaloso rio Minho. O Caminho está muito bem traçado, gerido, sinalizado e possui troços ainda com o pavimento original, de granito, bem polido pelas solas dos intemporais caminhantes. 
Vegetação luxuriante, verdejante, que com a sua sombra cerrada e o chilrear da passarada, acompanha permanentemente os caminhantes. Neste cenário estamos à espera que, numa volta do caminho, surja um poderoso romano artilhado com o seu gládio e a armadura de couro. 
Já às portas de Valença passa por mim a caminhante suíça. Com a cadência que imprimia ao passo, certamente que não parou no café do rissol e muito menos saboreu o tinto verde, daquele que suja a malga e retarda o ritmo. 
Chegada a Valença, a 117km de Santiago. 
Ao longo de todo o percurso, muitos restaurantes oferecem e publicitam o menu do peregrino. Subentender-se que é uma opção mais económica, em detrimento da variedade de escolha, pode ser um engano. Devem os caminhantes ficar alerta: em Valença encontrei um menu do peregrino por 11 euros (opções de prato principal nada de especial), enquanto numa rua perpendicular e já fora da rota, um menu geral, rico e completo, podia ser degustado, numa magnífica esplanada, por um valor significativamente inferior. Pouco católico, aquele comerciante. 😄 
A estação de camionagem, onde me deveria informar dos horários de regresso a Ponte Lima, é um edifício fantasma, encerrado, devoluto, sem informação aos viajantes. Questionei um motorista do expresso de Santiago acabado de chegar. 
- Camioneta para Ponte de Lima? Pois, não sei. Talvez até nem haja hoje, que é sábado, e ainda por cima com a Covid... A informação na Internet era carente e  inconclusiva. O serviço de camionetas e  aquelas instalações não dão uma boa impressão a quam visita Valença. 
Mais uma vez o comboio venceu o autocarro, não para Ponte de Lima mas sim para Viana, onde a Lourdes me esperava. Passagem obrigatória no Natário, pelas suas maravilhosas bolas  (!!!!) e pelos seus deliciosos doces de gila. 
Consideremos este percurso, Ponte de Lima - Valença, com cerca de 37 km, um aperitivo para os restantes 120 km, totalmente em território espanhol, previstos para a última quinzena de agosto. Porque o caminho português de Santiago não tem significado se for totalmente efetuado em território espanhol. 
Até lá e buon camino!!

segunda-feira, 17 de maio de 2021

PR1 - arribas do Tejo

                                             

 - Senhores passageiros. Vai sair da linha número 2 o comboio regional com destino a Castelo Branco, com paragem  em todas as estações e apeadeiros.

Estação do Entroncamento. 7h45mn. Despida de passageiros devido à preguiça dominical e à pandemia, a composição inicia ruidosa e lentamente o seu percurso. desliza pela Linha da Beira Baixa, uma das mais cénicas de Portugal. O primeiro lanço, de Abrantes à estação da Covilhã, entrou ao serviço em 6 de setembro de 1891, tendo a linha sido concluída com a inauguração até à Guarda, em 11 de maio de 1893, há 128 anos portanto.

Acabámos de passar pela estação de Alvega-Ortiga. Relembro as recentes notícias nos pasquins regionais dando conta da proposta da autarquia ortiguense de mudança de nome para Ortiga-Mação, porquanto a ligação com Alvega, na outra margem, já se perdeu, com o termo da travessia por barco e a menor dependência comercial e social daquela povoação.

- Senhores passageiros: próxima paragem,  apeadeiro da barragem de Belver. Uma indicação personalizada dado ser o único passageiro visível no comboio. Saída pelo cais sul, com acesso direto às instalações da estação; o cais norte  é... a esplanada do restaurante da Lena. Uma ótima opção para caminhantes que se fiquem pela viagem de comboio... 😁

Antes de iniciar o percurso pedestre entrei  no estabelecimento. Balcão de mármore, montra com  Kinder Bueno e pastilhas Gorila.

- Olá bom dia. (10sec). Bom dia, está alguém?
- Já vai. Só um bocadinho, estou na cozinha. 

Depois de conversar com a D. Lena e com o filho fiquei a saber que o restaurante só funciona por marcações e tem como especialidade a lampreia (só na época dela). Estava chorosa a D Lena: fazia anos que o marido faleceu. Ficou combinado, numa próxima caminhada, um almocinho. Refeição completa a bom preço, com uma atençãozinha caso não peça fatura.

A pequena rota 1, PR1, arribas do Tejo, circular, desenvolve -se pelas duas margens do Tejo, nos concelhos de Mação e Gavião. Inicia-se na praia fluvial de Ortiga, local balnear e de pesca desportiva, com as margens tingidas de branco pela invasora Zantedeschia aethiopica, o jarro ou o copo-de-leite como nome comum, muito apreciados pelas tradicionais donas de casa dos anos 60 e 70.

O percurso da margem norte, ou direita, apresenta desníveis suaves, exceto na fase inicial em que no extremo da ascensão se pode apreciar o troço do rio que vai da barragem de Belver até ao castelo com o mesmo nome e as arribas para o Tejo, que dão o nome ao trilho. Vários quilómetros sem  ver vivalma e onde os sentidos se concentram na explosão de cores primaveris, cheiros e sons claros e cristalinos da passarada, insetos e rumorejar da folhagem.


A vereda acompanha várias estremas de zonas de caça que, através das respetivas placas sinalizadores, traçam o percurso dos serviços florestais al longo dos anos: DGF, DGRF, AFN, ICNF. 

A entrada em Belver faz-se pelo norte, o que permite visualizar uma perspetiva deslumbrante do altaneiro castelo. O trilho acompanha uma linha de água profunda e com vestígios de infraestruturas de aproveitamento hídrico.

Já na povoação constatou -se, através de um lacónico aviso colado no vidro da porta do centro de saúde, que este se encontra encerrada em virtude do Dr. Cabaço se ter reformado..

Com a passagem da centenária ponte rodoviária sobre o Tejo, que sustenta a E244, começa o desassossego gerado pelos passageiros de múltiplas camionetas de turismo que têm como único objetivo transporem os escassos quilómetros de passadiço até à praia fluvial do Alamal. Apesar de, do troço de madeira, se observar  uma paisagem fulgurante para Belver e o seu castelo, é  de evitar este local, pelo menos ao fim de semana.

O troço final entre o Alamal e a barragem de Belver, pela margem sul, é uma autêntica montanha russa, vertical e horizontal, onde praticamente todo o percurso se desenvolve através de um agradável túnel vegetal que acompanha o rio Tejo a várias altitudes. A luxuriante, diversa e intensa vegetação, embora ainda a recuperar de recente incêndio rural, nada fica a dever à Laurissilva (desculpem-me a comparação, os colegas fitosociólogos puristas).


Foram cerca de 5 horas, 16 km palmilhados com alguma dificuldade e esforço. perfeitamente  compensado pela bonita paisagem, pelo isolamento relaxante e pelo café e a conversa da D.Luisa.. 

Adquirido fôlego, energia e oxigénio para mais alguns dias de teletrabalho e de máscara obrigatória.



quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

O Grão-Ducado

 Um país onde o ordenado mínimo se aproxima dos 2000 euros, uma refeição num restaurante barato ultrapassa os 17 euros e um kilo de frango 12 euros, tem bilhetes diários para os transportes públicos de todo o Grão-Ducado a 3,2 euros.

 E muito em breve passará a ser único no mundo: transportes públicos grátis para todos, exceto para as castas superiores que pretendam viajar em 1° classe, longe do suor do povo.




sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Good morning Vietnam

 

Abril de 1995. Recordo-me que passámos o 25 de Abril em Saigão, data também importante para o povo deste maravilhoso país. Permanecemos cerca de um mês principalmente no Vietname mas também na Tailândia.

Depois de muito pesquisar em livros (na altura a Internet ainda não estava massificada) lá conseguimos programar o percurso e encontrámos a agência de viagem que mais barato apresentava (na altura a viagem e os gastos ficaram em cerca de 1250 euros – 250 contos), curiosamente com sede num edifício contígua ao local onde trabalhava (DGF). Como não poderia deixar de ser, o guia de viagem LonelyPlanet foi mais uma vez crucial no planeamento e na execução.

O exotismo da região, o mito da guerra e o facto da Raquel estar nesse momento em transito profissional por este país, fez com que optássemos por esta viagem.

Éramos 4: a Lena, o João (na altura já casados) e o Rui, amigos de faculdade e de infância, alguns de nós.

E lá partimos em viagem para o fim-do-mundo, na nossa primeira incursão na Ásia profunda (já tínhamos estado, eu e o João, na parte asiática da Turquia, cerca de 8 anos antes).

Apanhámos o 747 da Thai em Madrid. O aeroporto de Barajas permite sonhar: contrariamente à Portela existem partidas para os quatro cantos do mundo. Após uma escala em Roma, lá seguimos em direção ao sol nascente. Chegámos a Bangkok de manhã (local) com um jetlag negativo fortíssimo. Viajar a esta velocidade para Este é sempre muito mais complicado.

Bangkok realça-se pela poluição, trânsito, templos budistas, cheiros intensos e pela pressão da população (muita, mas mesmo muito gente nas ruas). Ficámos num hotel razoável, com uma piscina que foi uma autêntica lufada de ar fresco naquela região com água até no ar.

Na Tailândia visitámos ainda o mercado flutuante, a algumas dezenas de quilómetros a Oeste de Bangkok, em direção da fronteira com a Birmânia/Myanmar. Pouco interesse, pese embora o exotismo.
Um misto de feira da ladra, de feira de Carcavelos e de Cais-do-Sodré foi a impressão com que ficámos de Patpong, no interior de Bangkok. Uma concentração de vendedores jamais vista, estabelecidos em lojas ou em simples bancas no meio da rua, faziam com que nos sentíssemos noutro planeta. Os bares de strip e de outros espetáculos ao vivo são uma autentica atração. Quem visitar este bairro, liberte-se dos tabus ocidentais e veja os espetáculos Go-GO que, a parte o especto emotivo que choca com as boas regras ocidentais, são autênticos deslumbramentos de cor, curiosidade e espanto.

Pessoal muito aberto e extrovertido. O Rui, durante vários anos, ainda se correspondeu com uma simpática tailandesa (e sem utilização de email ou outras novas tecnologias inexistentes na época. Puo e duro snail-mail).

Viagem curta, de avião, entre Bangkok e Hanoi. Num país a abrir-se ao exterior, as dificuldades de entrada foram muitas, como várias horas de espera na fronteira, carimbos, aberturas de malas e alguma arrogância dos elementos policiais. Mas cá foram tínhamos a Raquel e o Eric à nossa espera que, com a sua boa disposição e alegria afastaram as nuvens cinzentas que pairaram na chegada. E lá fomos para o centro Hanói, pela autoestrada, entre ciclistas que transportavam porcos, galinhas e outros animais, habitantes locais que utilizam a via como caminho privilegiado, e inversões de marcha e manobras pouco recomendáveis.
Embora já tivéssemos o itinerário mais ou menos programado, a receção da Raquel e do Eric, para além de reconfortante num país estranho e aparentemente hostil para o nosso grupo latino, ajudou-nos a readaptar o percursos e locais a visitar.

Hanoi é maravilhosamente estranha. Ainda com muitos vestígios da colonização francesa, a mistura arquitetónica e de hábitos é curioso. A salientar nesta cidade:
- Uma lindíssima praça no centro da cidade (junto ao teatro da marionetes aquáticas), com o seu lago, ilhas e arvoredo paisagisticamente bem enquadrado.
- Imperdível assistir ao espetáculo de marionetas aquáticas.

- O trânsito é intensíssimo. Atravessar uma rua torna-se hilariante. Sem passadeiras, a regra é básica: olhar para o outro lado e atravessar lentamente por forma a que os condutores (99% de bicicletas e motociclos) possa calcular mentalmente a nossa trajetória. NUNCA parar e arrancar, tentando fugir aos veículos.

- Comemos pernas de rãs pela primeira vez (pelo tamanho mais parecia ser membros inferiores de sapos).

Aconselhados pela Raquel, fomos testar as nossas costelas de navegadores para a Baía d’Along. Através de uma agência de viagens local, com o apoio de um guia Vietnamita extrovertido e simpático, um grupo pequeno de estrangeiros, onde nos incluímos, percorreram as muitas ilhas em formato de agulha que existem naquela zona do Mar da China Meridional. Dois dias a flutuar por aquelas águas calmas, dormindo e comando na embarcação. Especial menção à ilha de Cat Ba, já com alguma dimensão, onde visitámos uma floresta tropical, a povoação local em franca expansão urbanística e com infraestruturas urbanísticas a serem construídas com o apoio da então Comunidade Europeia (é estranho ver um placard de anúncio de obra, num lugar tão recôndito, com a estrelada bandeira europeia).

Tivemos aí o primeiro contacto com o cão como uma espécie para consumo doméstico, na verdadeira aceção da palavra: após os vermos em autênticas gaiolas, no mercado, junto aos galináceos e aos vegetais, no percurso de regresso ao barco, tivemos a possibilidade de assistir ao estripar de um desses simpáticos animais, à semelhança do que se fazia há alguns anos atrás com os cabritos nas festas tradicionais do interior português.

De regresso a Hanói, e após visitarmos algumas bonitas paisagens da sua periferia rural, avançámos no comboio da reunificação (Expresso da Reunificação) em direção ao centro e sul do país. Um compartimento com as célebres couchettes que se adaptou ao número de elementos do nosso grupo. Não me recordo quanto pagámos mas mesmo com a então necessária taxa para turistas (abolida em 2002), os cerca de 800 km de viagem não deve ter ultrapassado os 20 euros, incluindo alimentação (forneciam alimentação durante a viagem, tipo avião, mas aparentemente confecionada no próprio comboio). Vista maravilha da janela da nossa carruagem, com especial menção ao troço entre Hué e Da Nang, onde terminámos a viagem de comboio.


Através de conhecimentos de terceiros, conseguimos uma habitação familiar com alguns quartos no primeiro andar, com condições mínimas, mosquiteiros nas camas e junto à praia de Palm Beach (local de férias de dos soldados americanos em licença). Os donos da casa dominavam o francês, o que facilitou a comunicação.


Da Nang é uma cidade sem grande interesse, salvo a paisagem costeira. Hoi Na, uma pequena vila a poucos quilómetros a sul de Da Nang, possui um pequeno porto onde os portugueses à centenas de anos deixaram raízes.


Tivemos oportunidade de adquirir a um pescador algum camarão, o qual foi confecionado e servido pela sua família, na sua casa de terra batida junto à praia. A imagem que ficou foi a de quatro ocidentais a consumirem marisco à volta de uma mesa, a família do pescador sentada em nosso redor a observar alternadamente esta cena estranha (apesar da nossa insistência para se juntarem a nós) e a televisão próxima, . O som de fundo proveniente da televisão fez-nos voltar a cabeça e confirmar espantados que estava a ser emitida a telenovela brasileira Escrava Isaura.


Visitámos a cidade imperial de Hué, antiga capital do país. Relativamente bem conservada e com grande quantidade de turistas, particularmente nacionais.

Saímos de Da Nang em direção a Na Trang por via rodoviária, recorrendo a um mini-bus. Cidade turística, com uma praia fenomenal, deu-nos guarida por alguns dias. Restabelecemos as forças na praia e encontrámos um autóctone que conhecia algumas palavras de português, e as personalidades Álvaro Cunhal e um jogador de futebol muito conhecido na altura. O ananás cortado e servido perto do mar e as massagens ministradas em plena praia são ex-líbris neste local. Aproveitámos para uma nova incursão no mar quente do Vietname para visitar umas ilhas a alguns quilómetros da costa e fazer mergulho em apneia.


Já no término da viagem, avançámos para Saigão, denominada Ho Chi Min logo após o fim da guerra com os americanos, em memória do líder vietnamita. É uma cidade que não tem o encanto das do norte. Caótica, desordenada, poluída, o seu encanto não vai para além da carga mítica que a envolve. De salientar alguns museus e, junto à fronteira com o Camboja, os túneis de Cu Chi, local onde os vietcongs se furtavam ao exercito americano, em autenticas cidades subterrâneas.


Gastámos cerca de 24 horas a regressar ao aeroporto da Portela, partindo de Ho Chi Min e fazendo escala em Bangkok e Madrid.


Um país a visitar, certamente muito mais aberto ao turismo do que em 1995.




Ficha de viagem

Países: Tailândia, Vietname
Cidades/locais visitados: Bangkok, Mercado Flutuante, Hanoi, Hai Phong, Baia d'Along, ilha de Cat Ba, cidade imperial de Hue, Da Nang, Hoi An, Na Trang, ilha de Hon Tre, Ho Chi Minh-Saigão, túneis de Cu Chi.
Meios de transporte utilizados: Avião, Barco, Comboio, Miniautocarro
Data de início: Março de 1995
Data de Fim: Abril de 1995
Tempo de permanência: cerca de 1 mês
Mapa: