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quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Alsácia: a região partilhada


A identidade franco-alemã da Alsácia deve-se certamente á constante troca de território entre Estados, resultados de quezílias ao longo da história. Até ao século XV a Alsácia integra o império romano germânico, o percursor da atual Alemanha. Após a guerra dos 30 anos, parte da Alsácia integra a França, durante cerca de 200 anos. No final do século XIX, o império alemão anexa novamente a Alsácia. Após a I guerra mundial regressa a território francês. Durante a II guerra mundial volta a ser conquistada pela Alemanha nazi e, depois desta ter capitulado, passa novamente para França até aos nossos dias. O território baila de uma margem para a outra do Reno. Estabilizou agora com a implantação do parlamento europeu em Estrasburgo.

Esta miscelânea de culturas partilhadas por estes países, faz com que a Alsácia possua leis locais diferentes do resto de França, tenha feriados próprios, um regime de saúde especial e uma forte identidade regionalista. Apesar de ter o francês como língua oficial, possui um dialeto próprio, muito próximo do suíço germânico e da Alemanha do sul.

Iniciamos a viagem a uma sexta feira com previsão de a terminar na terça seguinte. Aterrámos em Basileia, voámos com a EasyJet e  estabelecemo-nos num gite em Beblenheim, aldeia central que permitiu, a partir dela e nesses 5 dias, visitar alguns locais da Alsácia e Suíça. A habitação, fechada à volta de um pátio onde os alojamentos dos residentes e hóspedes concentravam-se no primeiro andar. No rés-do-chão dispersavam-se as garagens, armazéns e arrecadações. Antigos celeiros e estábulos para animais, certamente. O anfitrião e a sua esposa fizeram tudo para nos proporcionarem uma boa estadia. Antigo produtor de vinho numa das regiões vitivinícolas mais importantes de França e mesmo da Europa, o proprietário do alojamento presenteou-nos um uma garrafa do delicioso vinho da adega local. No primeiro dia, após nos instalarmos, visitámos os famosos mercados de Natal de Colmar. Quem visita este tipo de atração deve fazê-lo preferencialmente á noite: o ambiente torna-se feérico e mágico. A gente era tanta que os visitante facilmente se deslocavam sem colocar os pés nos chão. 😁 Com alguma dificuldade conseguimos um estacionamento mais ou menos central. No entanto, nestas alturas, as autoridades locais colocam a disposição a extensa área de estacionamento do parque de exposição local, conjugando com uma ponte rodoviária de autocarros que deslocam os maravilhados visitantes aos mercadinhos centrais. 


No segundo dia dedicámo-nos às aldeias natalícias da vizinhança, Ribauville, Kaisersberg e novamente o ex-líbris local, Colmar. A aldeia de Riquewihr, de tão requisitada, tornou-se inacessível. As filas eram tão grandes que saltámos para o destino seguinte. Salsichas com chucrute envinagrada, uma deliciosa e reconfortante mistela com batatas cozidas, cebolas, bacon e natas, e o vinho quente com aromáticas, foram iguarias testadas e saboreadas. Queijos de todas as cores (também vermelhos e verdes), formas e tamanhos foram adquiridos e serão certamente um sucesso na mesa da consoada.


Terceiro dia. Visita ao longo da margem direita alemã do  rio Reno que nasce na Suíça, divide a França da Alemanha, banha importantes cidades alemãs e desagua no frenético porto holandês de Roterdão. Uma verdadeira autoestrada Europa dentro, vocacionada para turistas bem instalados em embarcações confortáveis e envidraçadas mas  também para transporte de mercadorias. Freiburg, Gengenbach e, no final do dia, Baden-Baden, foram as localidades que formaram o percurso escolhido. Cidades muito bem organizadas, onde o sistema de parqueamento de viaturas na periferia da cidades, conjugado com bilhetes de transportes públicos, faz inveja à desorganização da circulação lisboeta.


Estrasburgo. Capital da Alsácia, do livro e da leitura e sede de uma das três mais importantes instituições da União Europeia: o Parlamento Europeu. Todos os anos, na época de Natal, recebe milhões de visitantes que se concentram no seu interior, na parte central, bem limitada por linhas de água, atravessadas por pontes com checkpoints para evitar atentados. A catedral e majestosa e a fachada principal hipnotiza, com as suas pérgolas, colunas, varandas, estatuetas e perfis góticos. 


Testada pela primeira vez, a tarte flambé, com nome próprio também em alemão (flammkuchen), foi um sucesso. O restaurante Au Brasseur, central mas longe da confusa e apinhada zona dos mercados, permitiu a degustação de 4 variedades daquela especialidade culinária alsaciana, bem regada com cerveja artesanal fabricada no local, 100% puro malte e lúpulo, não filtrada e não pasteurizada e tirada diretamente da cuba para a caneca, respeitando a tradição da fermentação típica. A necessidade de conduzir viatura não permitiu ultrapassar a caneca de meio litro. 😊

Último dia. Despedida do acolhedor lar e de uma das suas habitantes, francesa rosada, simpática, que até conhecia a zona de Chaves devido a visitas constantes a amigos portugueses. Os lusos emigrantes deixaram de ser os dependentes pobres da economia francesa e, agora bem estabelecidos social e economicamente, passaram a bem acolher na sua terra de origem quem os ajudou a superar as más condições de vida impostas pela ditadura bafienta. 


Depois de entregar a viatura no aeroporto internacional partilhado por França e Suíça, a carreira 50, cujo acesso ocorreu com uma simples app android carregada com as necessárias passagens, levou-nos ao centro da cidade de Basileia. Dividida pelo nosso amigo Reno, possui um sistema de transporte fenomenal que permite a um turista apressada visitar de forma célere os pontos de interesse.

 

Alojamento: 

-Gite du vignoble, na tranquila aldeia de Bebleinheim, perto de Colmar e de um nó de autoestrada A35 (Autoroute des Cigognes) 

Rent a car:

Enterprise, balcão do lado Suíço do aeroporto europeu de Basel/Fribourg/Malhouse, partilhado por três países. Pessoal prestável e simpático. Alguma demora no check-in. Valor exorbitante pedido pela empresa para custear um ligeiro raspão do suporte do espelho lateral da viatura, pouco maior que uma moeda de euro, sabendo nós que não foi da nossa responsabilidade. 

Estrasburgo. 

- Estacionamento P+R (park and ride) que, por uma módica quantia de 4,2 euros, permite o estacionamento de uma viatura por 24 horas e inclui o transporte para a cidade de até 5 pessoas, desde que viagem em conjunto. E viagens "à volonté" por toda a cidade durante aquela período. 

- Restaurante Au Brasseur, na rue des veaux, 22, com menu diário, de valor pré-definido, e preços longe dos exorbitantes se praticam na zona.

Basileia

- Transportes públicos. Utilizar a APP da SBB mobile para adquirir bilhetes diários digitais. Permite deslocação de e para o aeroporto. 

- Apanhar sol durante a tarde nas escadarias na margem do Reno oposta à catedral.