quinta-feira, 16 de abril de 2026

A sociedade que despreza o imigrante

À entrada de Chinatown — aquele enclave vibrante onde Nova Iorque se transmuta em Ásia — deparámo-nos com uma multidão de vendedores ambulantes. Na sua maioria negros, possivelmente imigrantes em busca de sonhos intangíveis, estendiam lençóis brancos pelo chão, improvisando montras para mercadorias contrafeitas, sobretudo malas e carteiras. Com uma insistência quase desesperada, tentavam seduzir os turistas com promessas de um status efémero, passaporte de entrada na sociedade capitalista e selvagem que o governo de Trump personifica.


​Subitamente, como suricatas em alerta, os vendedores ergueram as cabeças. Num movimento coreografado pelo medo, iniciaram a debandada, arrastando os fardos de mercadoria  improvisados enquanto a polícia se aproximava. Na aflição da fuga, algumas malas caíram pelo caminho. Foi então que um casal de jovens, bem vestidos e de aparência abastada, recolheu uma das peças do chão e, sem qualquer pudor, tomou-a como sua, escondendo-a dentro do casaco.

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​O gesto serviu de metáfora perfeita: a personificação de uma sociedade que despreza o imigrante, mas que, de forma agressiva e oportunista, não hesita em usufruir do fruto do seu trabalho e sacrifício.

revisto pelo Gemini

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