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terça-feira, 18 de agosto de 2026

E a praia mais acessível do Entroncamento é...


Tradicionalmente os habitantes do Entroncamento e concelhos limitrofes, quando pretendem refrescar-se em águas marinhas, deslocam-se para o eixo da costa entre Peniche e São Pedro de Moel. Uns rápidos e cómodos 70 km, de carro, são suficientes para por a banhos estes ribatejanos.

E se se pretendesse aceder a uma praia sem utilizar viatura, somente transportes públicos, sem grandes transtornos de mudanças? A costa mencionada não é servida por bons transportes. Até o comboio, na linha do Oeste, se encontra parcialmente suspenso. As muito desejadas praias da Costa da Caparica exigem 3 tipos diferentes de transporte e mudança pelo menos 3 vezes.

Por que nem sempre o percurso mais conveniente corresponde á distância mais curta, concentrei-me num mapa de Portugal onde as linhas férreas se encontravam bem evidentes.

Bingo. O dedo pressionou o mapa na costa atlântica, um pouco mais a norte, não muito longe do Porto. Espinho! Na verdade, uma extensa praia, a poucas dezenas de metros da estação de comboio que acolhe composições rápidas e diretas provenientes do Entroncamento, bons restaurantes e um passadiço que acompanha a costa e que permite relaxantes passeios, foi a solução para a equação. Ainda por cima com a vantagem do passe verde ferroviário.
A problemática habitual da temperatura da água do mar não se coloca. A temperatura do ar, com uns gélidos 30° C 😁,que contrastam com os 42° C do interior, diminuem fortemente o choque térmico. E ainda por cima, neste ano de 2026, as condições meteorológicas ditaram um aumento da temperatura da água na costa atlântica em detrimento da costa algarvia. (nesse dia a água do mar nas praias de Espinho atingiram os 20°C).
Depois de algumas horas a torrar ao sol, em período adequado e menos perigoso, pode-se sempre continuar o passeio pelo passadiço, almoçar na Aguda, no restaurante Pai Herói (reservem com antecedência e peçam lulas), continuar em direção a norte e visitar a capela do Sr. da Pedra em Miramar, Arcozelo, (aproveitem as agradáveis esplanadas sobre a praia para beber algo agradável) e, para os mais corajosos, prosseguir até ao Douro. Os mais frágeis ou com menos tempo podem sempre dirigir-se ao apeadeiro de Miramar e apanhar um comboio para o Porto ou para Espinho para, aí, esperarem por um intercidades de volta ao Entroncamento. 
Mais uma volta podoferroviária, nesta caso com praia, passadiços, gastronomia, visitas culturais e, como sempre, viagem de comboio. 

sábado, 13 de junho de 2026

Espanha aqui tão perto... de comboio

Mais uma viagem com o passe verde ferroviário. Entroncamento até Badajoz e volta.


Na velha estação, a automotora a diesel Allan espera os parcos passageiros com o orgulho dos seus 70 anos. Por ter sofrido uma operação de botox há 25 anos, com ar condicionado e poltronas mais cómodas, lá cumpre dignamente a sua missão ao longo das cerca de 3 horas de viagem e 180 km até à cidade da extremadura espanhola, ronceira e tremeliques. A linha também não ajuda.


Afinal, o comboio sai compostinho: a chegada de um intercidades do norte alimentou a Allan com passageiros suficientes para encher metade da sua capacidade.


Saída a horas, após acionada a buzina estridente. 9h06. O ar condicionado começou a funcionar. Cabeça fresca que fez despertar para os passageiros vizinhos. Em viagens de comboio é interessante, como um jogo, adivinhar os destinos dos outros passageiros. Alguns jovens com perfil de interrailistas (não encontro outro nome para os definir), com mochilas carregadas e roupa desportiva e leve, que resistiram à viagem de avião e de Flixbus para transpor as fronteiras dos países ibéricos, aproximando-se da Europa. Outros passageiros, pelo traje e pequena mochila individual, têm objetivos de viagem semelhantes: passeio ferroviário e visita à cidade capital da província espanhola da extremadura, eventualmente a Elvas. Também estudantes que regressam a casa de fim de semana e alguns passageiros habituais e frequentes.


Depois de deixar o vale do Tejo em Rossio ao Sul do Tejo, a Vila Nova de Gaia de Abrantes, o comboio mergulha em paisagens alentejanas caracterizadas por orografia suave e espécies florestais autóctones de folha perene. As paisagens florestais alteram-se, com o domínio das árvores de fuste vermelho e fornecedoras da matéria-prima bem conhecida, acompanhadas por extensos e altos povoamentos de eucalipto, alinhados e bem densos.


Uma dúzia de passageiros ruidosos entram na estação da Bemposta/São Facundo e quase enchem o comboio, constituído somente pela automotora e sem carruagens.


Os auscultadores são bem-vindos, principalmente se forem com cancelamento de ruído exterior. O concerto para piano n.º 21 de Mozart articula-se, suave e introspectivo, com o cenário rural, mas é ocasionalmente interrompido pela falta de sinal, habitual no Alentejo profundo.


Bemposta, Ponte de Sor, Torre das Vargens. Está última, uma estação imponente para o local, entroncamento de dois ramais, o que seguimos, em direção a Portalegre e Elvas, e um outro, desativado mas com uma importância histórica por ser onde passava o antigo e conceituado Lusitânia Express que efetuava a ligação noturna entre Lisboa e Madrid. Tudo isso acabou: Lusitânia Expresso (via Marvão-Beirã e, posteriormente, via Salamanca), Sud Express (nos primórdios via linha do Douro, como nos contava Eça e o seu amigo Ega, e posteriormente por Vilar Formoso). Atualmente, as únicas ligações a Espanha (e, consequentemente,  à Europa) são esta, Entroncamento-Badajoz, e a ligação Porto-Vigo. Estamos piores que há 100 anos atrás, apesar das promessas não respeitadas dos nossos governantes.


Chança, Crato, Portalegre. Estações com janelas e portas entaipadas com tijolo e cimento. Estações mortas para o exterior, mantendo-se operacionais somente as linhas.


Saída de uma dúzia de passageiros em Portalegre e 4 no Crato, dos quais dois dos identificados inicialmente como interrailistas em direção à Europa. (serão clientes do festival do Crato?) Erro de percepção, tão comum na nossa sociedade selvagem e individualista em que percecionamos os males e defeitos dos outros somente pelas características visiveis.


Neste comboio curto, parecido com um autocarro, o pica passa várias vezes, sorridente, pelo corredor, transmitindo um clima de boa disposição, ampliado pelo grupo da Bemposta, agora atracado a umas cervejas.


A paisagem trocou o sobreiro pela azinheira, com árvores centenárias dispersas em extensos campos com pastagens ou em pousio para futuras culturas cerealíferas: os característicos montados. Terrenos mais secos e calcários acolhem esta espécie protegida em Portugal.


Mozart foi também substituído pelos A-ha, fazendo associar a baixa temperatura da cabine, da responsabilidade do potente aparelho de  ar condicionado, ao país originário do grupo, e contrastando com a temperatura exterior tórrida. 


Assumar, Arronches, Santa Eulália, Elvas. A automotora continua, gingona, a aproximar-se do destino castelhano.


Em Santa Eulália saiem os 3 jovens percecionados como estudantes. O comboio retoma novamente metade da sua capacidade. Na aproximação a Elvas, o último reduto português antes da passagem da fronteira, a automotora abranda como se o trânsito na linha o justificasse. Na verdade, este ramal comporta somente  quatro comboios por dia, dois no sentido ascendente e dois no descendente. Estação com alguma dimensão, com movimento de contentores e de composições técnicas de construção e reabilitação de linhas. A estação encontra-se em ampliação. Bom sinal. 


Após Elvas, resta um número significativo de passageiros,  cerca de 1/4 da capacidade. Linha eletrificada desde este local, pela Espanha dentro, embora o veículo em que nos deslocamos o despreze.


Passagem pela fronteira sem nos apercebermos quando e onde. Lá vai o tempo em que os passageiros portugueses tinham de aguardar muito tempo nas estações fronteiriças, de apresentar passaporte, pagar 1000 escudos de taxa e, nalguns casos, sofrer um interrogatório sobre o motivo da saída.


É claramente perceptível a economia mais ativa do lado espanhol, com extensas zonas industriais, plantações intermináveis de olival,  estaleiros para construção e alargamento da rede viária, rodoviária e ferroviária, e existência de armazéns, como por exemplo da Amazon e do Leroy Merlin.


Badajoz é uma cidade com história, cheia de vestígios facilmente observáveis. Desde a cidadela, constituída por remendos que comprovam as diferentes necessidades de defesa militar entre o século IX e as invasões francesas do século XIX, até evidências físicas recentemente expostas da utilização de um veículo de transporte público puxado a cavalo, tipo chora lisboeta (el tranvia de tracción animal), entre o final do século XIX e o início do século XX.



O tempo que medeia a chegada do comboio proveniente do Entroncamento e a sua saída no final do dia, cerca de 7 horas e meia, dá perfeitamente para vaguear a pé pela cidade, bebendo da sua história, auscultando e observando os habitantes, almoçando nos seus restaurantes e degustando as suas iguarias. Nos períodos de maior calor, para efetuar este percurso pode ser necessária alguma coragem e bastante água. Um supermercado, um museu são locais onde o turista pode refugiar-se e repor a sua temperatura corporal a valores admissíveis. Também uma esplanada à sombra de árvores ou de arcadas, acompanhada de uma boa e gelada "caña", contribui para esse desiderato.


Regresso pelas 19h41. Partida a horas. Uma Allan ainda mais ronceira, gingona e tremeliques. Uma autêntica massagem dos músculos das costas e barriga  das pernas. O material circulante nestas linhas secundárias deixa mesmo a desejar. Em contrapartida, a compra de bilhetes e de passes está modernizada, praticamente digitalizada e a APP da CP permite mesmo saber online o tempo de atraso dos comboios. A app Comboios georreferencia em tempo real todos os comboios que em determinado momento (e também em histórico) estão a circular na rede ferroviária portuguesa. Mas na prática, o que adianta saber que o comboio que nos transporta está atrasado uma hora se tal facto não nos faz chegar mais rápido ao destino? Não foi o caso desta viagem em que o maquinista respeitou rigorosamente os horários.


Por ser dia 10 de junho de 2026, Dia de Portugal, foi um bom dia para visitar Espanha. 😁



Informação prática


Transportes

- Passe ferroviário verde por 20 euros mensais e que permite viajar em todos os comboios da CP exceto Alfa Pendular e urbanos.

Duas saídas por dia do Entroncamento para Badajoz e duas de regresso.

- Cidade pequena que permite ser calcorreada facilmente a pé. Caso necessite de transporte urbano há uma boa rede de autocarros elétricos com possibilidade de comprar o bilhete ao motorista (alguns aceitam cartão de débito. Levar dinheiro trocado, ou notas pequenas, pelo sim pelo não).


Restauração

- Meson El Chozo Extremeño, com um interessante e apaladado Solomillo de Ajo Tostado, embora incompatível com dia muito quente (pequenos medalhões de carne de porco muito tenra com natas, batatas e alho tostado por cima). Callos, a nossa Sobreda, é também de provar.


- Beber um copo nas esplanadas da Plaza Alta ou nos bares junto ao rio, junto ao início sul da Puente de Palmas.


Atrações

- Cidadela (Alcáçova, Torre da Força, Porta do Capitel, Museu de Arqueologia, percorrer a pé toda a muralha)

- Ponte de Palmas

- Porta de Palmas

- Praça Alta, com as casas coloridas e as esplanadas com vista para a cidadela e a Torre de Espanta Cães.

-Catedral de São João Batista e a Praça de Espanha

- Jardim de São Francisco

- Parque Castelar

- Baluarte de São Vicente

- Vias de tranvia


Vários

-Mercadona perto da estação para abastecimento alimentar e bebidas para a viagem de regresso. 😁



Boa viagem. É sempre um prazer viajar de comboio. 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Pelas linhas das Beiras


Há cerca de 50 anos, a viagem entre Almada e a Guarda era uma autêntica aventura. Sair muito cedo para chegar tarde. Mas ficou esse sabor do acordar nas manhãs frias e sonolentas, apimentadas pelas ânsia da viagem, que contrastava com a calorosa receção dos familiares da aldeia granítica serrana e da reconfortante sopa quente de feijão e couve acabada de tirar da panela de ferro depositada na lareira acesa.


Decidimos fazer no mesmo dia esse mesmo percurso, agora de comboio, entre o Entroncamento e a Guarda. Ida pela linha da Beira Baixa, troço cheio de recordações das viagens no sud expresso para uma Europa desconhecida, longínqua e menos aberta, e regresso pela linha da Beira Baixa, encerrada parcialmente durante vários anos para reabilitação.


Característica do segundo quarto do século XXI, o bilhete e a reserva para o comboio IC foi efetuada remotamente, com possibilidade de escolha do lugar e da carruagem. Tudo online, incluindo o pagamento. Escolhi o melhor lugar, á janela, voltado no sentido da deslocação e do lado em que esperava ter uma melhor vista. Naquele que me sentei julgando ser o correto,  o lugar tão criteriosamente escolhido saiu logrado: carruagem invertida, fazendo com que o  assento se localizasse no lado oposto ao cenário desejado, orientado no sentido oposto à deslocação do comboio e, como cereja podre em cima do bolo, um janela panorâmica que, de tão suja, concorria com a neblina matinal. Hélas!!


Partida com 1 mn de atraso. O  comboio estranhamente cheio para um sábado de manhã, fora de épocas festivas ou de fins de semana prolongados. Explica-se certamente pela oportunidade dada pelo passe verde ferroviário. Nesta viagem, cada bilhete individual, ficaria por cerca de 45 euros. Com o passe , resumiu-se a 20 euros, com a possibilidade de, durante um mês, poder viajar á borla pela rede ferroviária. Bem jogado! 🙂


Na manhã fria, a neblina ou nevoeiro acompanham permanentemente o comboio. A composição mantém-se quase cheia. Os passageiros que saíram em Coimbra B - estação que recente e infelizmente perdeu a sua irmã mais nova e central da  cidade tricana - foram compensados pelos que lá entraram. 


Pampilhosa que não é da serra. O comboio afasta-se da linha do Norte e entra na linha da Beira Alta.  Desaparecem as paisagens planas, agricultadas, com casario disperso e iniciam-se horizontes ondulados, inicialmente mais florestados e, depois de  contornar a serra do Buçaco,  mais desertos e pedregosos, por onde o comboio serpenteia, ronceiro e hesitante, mesmo após as obras de modernização que prometiam mais fluidez. 


"Senhores passageiros. Próxima estação, Nelas. Nelas. No desembarque, atenção á distância entre o comboio e a plataforma. Next  station, Mangualde."  Vislumbra-se a Serra da Estrela no horizonte. A nebula e o vidro quase opaco não permitem identificar neve que, devido às baixas temperaturas, deve ser significativa nas zonas mais altas. Aproxima-se Mangualde. Junto á via, numa zona plana, um monumento assinala o maior acidente ferroviário ocorrido em Portugal. Alcafache. Simples e recôndita aldeia, ligada à linha ferroviária, ficou conotada negativamente com aquele sinistro acidente provocado pela má comunicação entre os chefes das estações opostas, onde dois comboios, deslocando-se em sentidos opostos, embatem violentamente, causando uma amálgama de destroços e vários incêndios devido ao combustível das locomotivas e do aquecimento, ampliado pelos materiais altamente combustíveis que integravam as composições. Mais de 140 mortos, número indefinido devido á violência do incêndio. 


Estas memórias tétricas são interrompidas pelo ruído de um extenso grupo folclórico que irrompeu de uma das extremidades da carruagem e que percorreu todo o comboio cantando as janeiras em alto e bom som, para gáudio dos passageiros. Lá fora, o Mondego acompanha o comboio e a paisagem, despida de floresta adulta, com blocos de granito dispersos,  giesta e zonas ardidas. O sol, tímido, começou a rasgar o nevoeiro.


A estação de Vila Franca das Naves é uma espécie de elevador da linha da Beira Alta. Para atingir os cerca de 800 metros de altitude da estação da Guarda, de forma suave e que permita ser comquistado por um comboio, a linha sobe linearmente de Celorico da Beira (400 m de altitude) até Vila Franca das Naves (550 m), curvando depois num ângulo de 180° até avançar para  estação terminal. A sul de Vila Franca das Naves, o comboio passa a 500 metros da linha onde tinha acabado de circular numa direção oposta.


Chegada á estação da Guarda com meia hora de atraso. Frio. Temperatura idêntica ao do local da partida, quase 4 horas antes.


No início da tarde parte novo IC, agora de regresso ao Entroncamento pela linha da Beira Baixa. Sai vazio, no sentido descendente, ao longo do mesmo vale por onde se estende a A23, embora na íngreme encosta oposta. Sabugal (curiosamente com a estação muitos  poucos quilómetros depois da da Guarda), Benespera, Belmonte, Covilhã, onde entra mais gente, jovens, provavelmente estudantes universitários. O comboio fica mais compostinho. Fundão, com a serra da Gardunha ao fundo. Os engenheiros ferroviários do século XIX, sem os meios e recursos atuais, para evitar construir um túnel de enorme dimensão, decidem contornar parte da serra para a ultrapassar. Alpedrinha, Alcains e chegada à cosmopolita e interior Castelo Branco. E lá vai o comboio em direção a sul, tal comboio descendente de Fernando pessoa cantado pelos Trovante.


Quando o ar condicionado da carruagem se desliga momentaneamente, resta um abafado e longínquo ranger da carroçaria e rodadados que, associado ao balancear do comboio, faciliita a introspecção e o relaxamento. O comboio segue agora ao longo do rio Tejo, a meia encosta, em vale cavado cheio de água represada e que espelha os lânguidos raios solares do final da tarde. Uma das margens, oposta à linha, com vegetação densa e intransponíveis, abre-se aos caminhantes e amantes sonhadores da natureza. É a pequena rota da sirga.


Chegada a terras ribatejanos no final do dia.  A viagem de comboio e não o destino atingido, foi em si uma  agradável atividade de lazer e de recordação de bons e longínquos  momentos vividos naquelas linhas.



Informações úteis:


Bilhete - passe verde ferroviário, para residentes em Portugal, com validade  de 30, 60 ou 90 dias e que permite viajar por todo o país em comboios regionais ,interregionais e intercidades, em segunda classe.  Um verdadeiro interrail dentro de portas.

sábado, 14 de dezembro de 2024

Passe verde ferroviário. O primeiro teste.

Dezembro, dia frio. Após almoço decidiu-se rever a estonteante e maravilhosa linha da beira baixa, entre as estações de Entroncamento e Vila Velha de Ródão. 

Reserva de lugar para o InterCidades (IC) Lisboa - Guarda que, devido a greve, suprimiu as composições entre Lisboa e Entroncamento e fez partir dessa cidade um comboio á antiga, tipo urbano. Indicações de locais de partida contrárias: a app da CP indicava uma linha e os painéis eletrónicos da estação outra. A CP no seu melhor.

Sem ninguém no comboio, carruagens vazias, foi preciso confirmar com um revisor conhecido que aquele era efetivamente o comboio desejado.

Viagem até Abrantes com belas vistas para o Tejo, mas zona já batida. Pouco depois de Alferrarede, após novo atravessamento do rio, agora para a margem norte, começa a passar pela janela um cenário deslumbrante: o vale do Tejo, mais a montante, entre Abrantes e Vila Velha de Ródão, junto á fronteira espanhola. O comboio segue sempre a meia encosta, por vezes rasando a água, na margem direita do Tejo e permite observar zonas completamente desertas de população humana na margem sul. Entre Belver e alguns quilómetros a montante, observa-se a contornar o leito o serpentear de um passadiço, a rota da sirga. 

Chegada a Vila Velha de Ródão, a vila-aldeia. Aconchegada ao rio Tejo, acolhe as Portão de Ródão, área classificada no âmbito da conservação da natureza. Como refere o sítio internet do município, trata-se de uma imponente garganta escavada pelo rio Tejo na crista quartzítica da serra do Perdigão, que criou um estrangulamento no curso da água com 45 metros de largura. O local serve de habitat para a maior colónia de grifos do país e é um lugar privilegiado para a investigação de fauna e avifauna.
Regresso no final do dia, com o ângulo dos raios solares a pjtarem de outras cores as arribas do Tejo. Comboio com baixa ocupação, um pouco mais que na ida, chegou num ápice ao Entroncamento.

Término da primeira viagem com uso do passe verde. Que venham outras.